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Tuesday, November 05, 2013

ReDeco, Revista electrónica del Derecho del consumo y la alimentación, nº 34, 55-89


 


 

A INTERNACIONALIZAÇÃO DOS SECTORES AGROALIMENTAR E FLORESTAL PORTUGUÊS – ENQUADRAMENTO, CENÁRIOS E TENDÊNCIAS

 

Duarte Bué Alves [1]

 

 

 

 

 

 

 

O sector agro-florestal português conheceu na última década um acentuado dinamismo. Numa conjuntura não raras vezes adversa, o conjunto de fileiras da agricultura, pescas e floresta conheceu uma expansão assinalável, acentuando a sua já forte tendência de internacionalização, demonstrável pelo grau de abertura, pela evolução das exportações (sobretudo em valor), pelo valor acrescentado bruto incorporado e pela abertura de novos mercados.

Trata-se de território relativamente novo para a diplomacia económica, não só porque corporiza uma nova orientação política assumidamente mais agressiva e proactiva neste sector mas também porque pretende dar resposta aos objetivos e orientações do programa do XIX Governo constitucional, a dois níveis: por um lado, no que diz respeito ao aumento das exportações (e consequente redução do desequilíbrio da balança comercial); por outro, porque se trata de um instrumento crucial em direção à autossuficiência alimentar de Portugal, medida em valor, até 2020, objetivo que o programa de Governo consagra como primordial. Assinale-se, de forma enfática, que não se visa, de modo algum, atingir a autossuficiência em termos absolutos (até porque isso representaria um modelo de autarcia que não faz sentido) mas em valor, ou seja, assegurando que Portugal exporta mais do que importa no sector agroalimentar.

Por uma questão de clareza conceptual, convirá começar por esclarecer o que se quer dizer, no presente artigo, quando se fala de sector agro-florestal: reportamo-nos ao “complexo agro-florestal e pescas” (CAFP), assim designado pelas regras da contabilidade pública e que compreende: a agricultura; as pescas; as indústrias alimentares, bebidas e tabaco; a silvicultura e as indústrias florestais.

O interesse de que a matéria se reveste para o exercício da atividade diplomática, fica bem demonstrado pelo grau de abertura do sector agro-florestal, superior ao do conjunto da economia e com um crescimento também a ela superior [2]. Ou seja: se há sector que está internacionalizado de forma consistente é justamente o que aqui nos ocupa, como fica demonstrado neste gráfico.

 

 


 

Valerá a pena reter em particular os dados do ano de 2012, daí resultando claro que o complexo agro-florestal tem um grau de abertura muito mais elevado do que a economia portuguesa no seu todo: 239% (no CAFP), contra 78% da economia portuguesa.

 

 
Grau de Abertura (%)
Agricultura
170.27
Pescas
94.97
Indústrias Alimentares, Bebidas e Tabaco
324.67
Silvicultura
61.29
Indústrias Florestais
139.6
Complexo agro-alimentar
249.39
Complexo Florestal
216.52
CAFP
238.51
Total da Economia
77.9

Fonte: MAMAOT/ GPP. Dados para 2012 são estimativa com base em informação disponível em fevereiro de 2013.

 

Esclarecido o escopo do que se pretende abordar e demonstrada a relevância do tema, detenhamo-nos num breve retrato do sector.

1.   O sector agro-florestal no contexto das exportações portuguesas

Tomemos como termo de comparação, para análise do dinamismo do sector agro-florestal, aquilo que foi o crescimento global da taxa das exportações portuguesas entre 2000 e 2012: 4.7%. Cotejada com a evolução das importações no mesmo período (2.1%) resulta que a redução média anual do défice comercial se cifrou em 21%. Há, seguramente, razões boas (dinamismo das exportações) e razões más (contração da procura interna) que explicam esta tendência que, globalmente, se pode considerar feliz para a economia portuguesa.

É com este dado base de partida que devemos olhar para o percurso específico do sector agro-florestal, que conseguiu, no período em análise, um crescimento das exportações, em média, de 6.3%, sendo de assinalar 12.4% na agricultura.

Taxas de crescimento médias anuais do Complexo Agro-florestal e Pescas e Economia 2000-2012 (a preços correntes)
(%)
 
Importações
Exportações
Agricultura
4,1
12,4
Pescas
4,7
6,5
Ind. Alimentares Bebidas e Tabaco
4,6
8,2
Silvicultura
-1,0
3,9
Indústrias Florestais
1,2
4,1
Complexo Agroalimentar
4,5
8,6
Complexo Florestal
0,9
4,1
Complexo Agro Florestal e Pescas
3,7
6,3
Economia - bens
1,8
4,3
Economia - bens e serviços
2,1
4,7
Última actualização - Março de 2013
Fonte: Estimativas MAMAOT/ GPP, a partir de Contas Nacionais, INE

 

Se atentarmos ao saldo da balança comercial, constatamos que o sector agro-florestal é, tomado no seu conjunto, deficitário, pese embora seja necessário fazer uma distinção entre o sector agroalimentar (que é deficitário) e o sector florestal (que é superavitário).

O quadro seguinte mostra os números dos anos de 2011 e 2012, sendo que estes dois anos não diferem muito dos anos que precedem.

Importações, Exportações e saldo da balança comercial do complexo alimentar e do complexo florestal em 2011 e 2012

(em centenas de milhares de euros)

 
2011 P
2012 E
 
 
Complexo Alimentar
IMP: 9620
EXP: 5024
SC: -4566
IMP: 9379
EXP: 5387
SC: -3992
 
 
Complexo Florestal
IMP: 2155
EXP: 4185
SC: 2030
IMP: 1938
EXP: 4404
SC: 2465
 
 
Complexo Alimentar +
 
 Complexo Florestal
 
 
IMP: 11775
 
EXP: 9239
 
SC: -2536
 
 
IMP: 11317
 
EXP: 9791
 
SC:  -1526

P – dados provisórios; E – estimativas

Fonte: MAMAOT/ GPP, a partir do INE. Dados de março de 2013

 

Estes dados carecem de um enquadramento: o défice da balança comercial no complexo alimentar assenta no facto de que Portugal não produz tudo aquilo que consome (como quase nenhum país, diga-se), aliada à particular circunstância de sermos significativos importadores de três fileiras relevantes: os cereais, o bacalhau e o açúcar. No caso dos cereais, registamos uma das mais baixas taxas de aprovisionamento, na ordem dos 25.3%, em função de uma produção que tem vindo a cair na última década e com produções particularmente baixas nos últimos anos por causa das condições climatéricas [3]. Acresce que, como se compreende, o consumo de cereais regista reduzida elasticidade por causa do consumo do pão. Por outro lado, dá-se o caso de Portugal ter como “prato nacional” um peixe que não existe nas suas águas e que tem de ir comprar a mercados mais distantes. A balança comercial do bacalhau seco é persistentemente deficitária, oscilando entre os 175M€ de défice comercial de 2007 e os 85 M€ de 2011, para nos atermos apenas à última década [4]. Finalmente o açúcar, não tem expressão significativa na nossa estrutura produtiva.

Já no que diz respeito às florestas, o bom desempenho desta fileira radica no facto de dela saírem alguns dos produtos onde Portugal consolidou, ao longo de décadas, uma posição forte, com robustez e escala, uma produção assumidamente vocacionada para a exportação, uma aposta grande na investigação e desenvolvimento (superior a 400 M€ na última década) num ambiente empresarial altamente profissional e competitivo. Foram estas algumas das causas que têm contribuído para o crescimento da cortiça, madeira e papel.

Esta dicotomia entre, por um lado, o complexo agroalimentar e pescas e, por outro, o complexo florestal, mostra bem que se o conjunto do complexo agro-florestal e pescas é deficitário, isso se deve ao sector agroalimentar e esta circunstância tem um peso não despiciendo no défice comercial português.

Entre 2011 e 2012, registou-se uma redução do défice alimentar, de 4.5 mil milhões de euros para 3.9 mil milhões, o que representa uma queda de 12.5% (aproximadamente 600 M€). Esta evolução tem a ver com um aumento das exportações mas também com uma queda das importações (vide quadro acima). A confirmarem-se estes dados (ainda provisórios à data em que se escrevem estas linhas), isso significa que o nosso grau de aprovisionamento alimentar se situou nos 82%, um valor que se tem mantido bastante estável e que Portugal não tem tido capacidade de robustecer. Estes dados estão em linha com o conjunto da economia portuguesa que, no primeiro quadrimestre de 2013, registou um excedente de 431 M€.

O quadro seguinte mostra, de forma sistematizada, o quanto acima se disse, ficando claro esta distinção entre agroalimentar e florestal no conjunto da nossa balança comercial:



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


2.   Os principais mercados de destino do agro-florestal

 

As exportações do CAFP português concentram-se no eixo UE + EUA + CPLP, da seguinte forma:

 

Três principais blocos de destino do CAFP
(média 2008 – 2012)
       
        Percentagens
União Europeia
71.4%
CPLP
11.8%
EUA
3.6%

                                   Fonte: MAMAOT/ GPP, dados INE, 2012

 

Estes três eixos de mercado representam 86.8% do valor total do complexo agro-florestal e pescas de Portugal e não tem sido fácil contrariar este modelo, pese embora um esforço muito grande – e bem-sucedido, diga-se – de abrir novos mercados e encontrar clientes noutros azimutes.

De entre os 197 países e/ ou territórios para onde Portugal vendeu na última década (desde o principal cliente, a Espanha, ao quase desconhecido Território Britânico do Oceano Índico), destacam-se no gráfico seguinte os 11 principais clientes, sendo que o critério foi o de representar aqueles mercados que têm uma quota igual ou superior a 1% no total das nossas vendas do CAFP. Por isso não aparecem aqui clientes que têm vindo a progredir de modo importante nos últimos anos como a Polónia (que representa 0,77% das nossas vendas) ou Moçambique (com 0.33%, e com quem Portugal é deficitário no domínio agroalimentar).

 

 

Fonte: MAMAOT/ GPP, com base em dados do INE

 

Parece inequívoco concluir pela excessiva concentração num número muito limitado de mercados que, além disso, são mercados que não só poderão já ter atingido a sua capacidade máxima de crescimento (e, por isso, onde nos interessa solidificar a presença mas onde dificilmente conseguiremos aumentar a quota) mas também onde os efeitos da crise demonstram que podemos sentir alguma retração na procura, conduzindo a uma limitação das vendas, quando não à sua diminuição.

Abaixo da quota de 1%, estão mercados onde o potencial de crescimento é reconhecido, pelo perfil dos consumidores, pelo aumento do poder de compra, pela incapacidade desses mercados darem resposta à sua própria tendência de aumento de procura e pelas projeções de aumento da população nas próximas décadas, sendo de referir a China (0.74% das nossas exportações), a Rússia (0.67%), o Japão (0.49%), os Emiratos Árabes Unidos (0.16%) ou a Índia (0.08%). O caso indiano é particularmente interessante se considerarmos que tem uma população que se cifra em 1.2 mil milhões (em 2012; expectativa de 1.6 em 2050) mas para onde vendemos, em 2012, apenas 1 milhão de euros em produtos agroalimentares (6.6 milhões se juntarmos as florestas).

Dos 11 mercados acima referidos, Portugal mantem uma balança comercial favorável com 4: Angola, Itália, Reino Unido e Estados Unidos da América. Porém, se desagregarmos o agroalimentar e o florestal, os dados são bastante diversos já que, como acima se referiu, o sector florestal contribuiu com um peso muito significativo, dando, por isso, uma ajuda de monta no total do exercício aqui em análise.

 

3.   Os principais produtos exportados no sector agroalimentar [5]

Sem prejuízo de uma análise mais detalhada que à frente se fará para alguns segmentos em particular (vide ponto 5), valerá a pena analisar a estrutura das exportações do sector agroalimentar, tendo como referencial os dados de 2012. O quadro seguinte mostra-nos os principais produtos das exportações portuguesas, seguindo a terminologia própria das regras de contabilidade nacional (e que é também a terminologia usada pelo INE).

 

 

 

Estrutura das Exportações Agroalimentares e Pescas por produto
 
106 EUR
%
Bebidas, líquidos alcoólicos
1.111,4
21,1
Vinho e Mosto
707,5
13,4
Cervejas
234,5
4,4
Peixes, Crustáceos e Moluscos
585,3
11,1
Bacalhau
113,0
2,1
Gorduras e Óleos Vegetais e Animais
447,3
8,5
Azeite
263,3
5,0
Tabaco
412,6
7,8
Cigarros e Cigarrilhas
320,0
6,1
Conservas Produtos Horto-frutícolas
344,4
6,5
Tomate preparado ou conservado
164,6
3,1
Frutos
320,8
6,1
Pêra
74,2
1,4
Leite e Lacticínios
288,3
5,5
Leite e nata
154,6
2,9
Preparações de Carne e Peixe
282,8
5,4
Conservas de Peixe
182,2
3,5
Preparações à base de cereais
257,0
4,9
Produtos de Padaria e Pastelaria
169,8
3,2
Produtos Hortícolas
197,6
3,7
Tomate Fresco
30,8
0,6
Carne
155,5
2,9
Carne de suíno
70,2
1,3
Preparações Alimentícias
141,4
2,7
Açúcares e Produtos de Confeitaria
141,3
2,7
Animais vivos
98,6
1,9
Alimentos para Animais
66,8
1,3
Café, Chá, Especiarias
63,2
1,2
Plantas Vivas e Prod.da Floricultura
55,0
1,0
Sementes e frutos oleaginosos
e culturas industriais
53,0
1,0
Cereais
30,0
0,6
Outros
221,2
4,2
 
 
 
Total do Agroalimentar
5.273,7
100,0
Fonte: MAMAOT/ GPP, a partir de Estatísticas do Comércio Internacional, INE (dados preliminares de 2012).

 

Do ponto de vista da ação externa, nomeadamente numa ótica de diplomacia económica, que aspectos mais interessantes resultam deste quadro?

Em primeiro lugar, dir-se-ia que os três produtos que ocupam o pódio das exportações agroalimentares não representam uma surpresa de monta e não são matéria arredada da ação habitual dos diplomatas portuguesas: as bebidas alcoólicas ocupam um destacado primeiro lugar, com o vinho (e mosto) em lugar de destaque (três principais mercados: França, Reino Unido e Angola) mas como uma posição muito relevante para a cerveja (três principais mercados: Angola, Espanha e França). Estes dois produtos, sozinhos, representam 21% das exportações do agroalimentar.

Tão pouco surpreenderá a segunda posição ocupada pelo peixe, nas suas várias vertentes: peixe fresco, pescado congelado, bacalhau, produtos de aquacultura e conservas de peixe (que aparecem em categoria autónoma). São segmentos com lógicas muito próprias e direcionados a mercados alvo muito distintos. No caso do peixe fresco e do peixe congelado (respectivamente: 127 M€ e 103 M€/ ano de exportações), a capacidade de alcance de mercados longínquos é limitada pelas características do produto, o que faz com que 93% do peixe fresco exportado vá para Espanha (e 62% do peixe congelado). Esse problema não se põe, naturalmente, no caso do bacalhau seco que encontra no Brasil o principal mercado (47%) ou no caso das conservas (148 M€) que ficam nos mercados francês (26%) e inglês (23%).

Além do vinho e do peixe, dir-se-ia que outro produto que está bastante associado à imagem de Portugal é o azeite que ocupa lugar proeminente nesta lista, com valores de exportação acima de 263 M€ em 2012. O Brasil é, de longe, o principal mercado de exportação de azeite (142M€), posição que se tem vindo a consolidar depois da celebração de um Memorando de Entendimento entre os dois países assinado no Rio de Janeiro, em junho de 2012, e que veio agilizar e aprofundar o comércio bilateral deste produto.

Talvez a surpresa de que valha a pena dar nota chega quando constatamos que o 4º produto desta lista é o tabaco, com valores acima dos 412 M€. Pese embora um lugar significativo, a verdade é que a produção de tabaco em Portugal tem vindo a cair na última década apesar de ainda existirem algumas unidades de produção na Beira Baixa e nos Açores. O problema com esta fileira agrícola é que vive no fio da navalha de uma insanável contradição entre as ajudas da União Europeia ao desenvolvimento da agricultura e as políticas dessa mesmo União da promoção da saúde pública e de, assumidamente, desincentivar os hábitos de tabagismo. Nessa linha, e por causa das cada vez maiores restrições à publicidade desses produtos, não tem sido uma produção que os estados membros tenham acarinhado ou promovido de forma particularmente ativa.

A informação constante do quadro acima presta-se a muitas e variadíssimas análises em duas óticas principais: a dos produtos em si e, depois, cruzando os produtos com os mercados. Desta reflexão, e daquilo que são as preocupações mais prementes dos operadores será de reter ainda dois casos particulares: as frutas (320 M€) e as carnes (253M€ se somarmos as carnes tratadas e os animais vivos).

Relativamente às frutas, há apenas duas em que a balança nos é favorável: a castanha e a pera. Nos demais a balança é sempre desfavorável a Portugal, mesmo em casos em que as vendas para o exterior são significativas, como é o caso dos pequenos frutos vermelhos (29M€) ou a maçã (11M€). A castanha vende 17M€ mas a “fruta campeã” é, de longe, a pera (com destaque para a pera rocha) de que vendemos 74M€ em 2012. Nesta, o mercado principal é o Brasil que absorve 40% e onde esta fruta é conhecida como “pera portuguesa” (seguindo-se o Reino Unido com 20%).

Note-se ainda que há algumas frutas cuja produção é vendida em quase bloco para determinados clientes, como seja o caso da Espanha que compra 90% da nossa produção de kiwi. O caso da cereja também é interessante porque regista acentuada e crescente procura, apesar de os níveis de exportação serem muito baixos (172 000 euros, com a Finlândia a absorver cerca de metade das exportações).

Uma última nota: apesar do produto que mais vendemos para o Brasil ser o azeite, a fruta tem vindo a ganhar terreno na última década, cifrando-se em 34M€ em 2012. Este dado é interessante se virmos que as importações de frutas brasileiras para Portugal são 20M€, sendo, portanto, domínio em que a balança bilateral nos é favorável. Ou, não menos interessante, se compararmos com as vendas de vinhos (29M€), concluindo-se que vendemos mais frutas do que vinho, pese embora o conhecimento que existe sobre este último.

Olhemos brevemente para o caso das carnes, na dupla vertente: animais vivos e carnes tratadas. Tal como as frutas, é um conjunto de produtos em que as autoridades são extremamente sensíveis por duas razões: a primeira é uma razão assumida de proteção de saúde pública, que obriga os exportadores a atravessar um calvário administrativo demonstrando à saciedade que as suas unidades de produção cumprem os rigorosos requisitos sanitários e de qualidade. Acresce que, não raras vezes, diferentes mercados têm requisitos distintos, o que impossibilita a pura replicação de dossiers. O caso do Japão é particularmente ilustrativo pelas exigências altamente restritivas, pela morosidade do processo que levou quase uma década até que fosse possível a exportação de carne de porco. De igual modo, valerá a pena atentar no caso do Brasil que connosco firmou um acordo bilateral que, depois de visitas recíprocas, certificações e análises, acordou com o correspondente organismo português (a DG de Alimentação e Veterinária) um sistema em que é aquela DG que, mandatada pelas autoridades brasileiras, procede aqui às certificações, com a vantagem de se eliminarem visitas de entidades brasileiras in loco difíceis de agendar e com custos assinaláveis. O mecanismo de diálogo com o Brasil (nas carnes e nas frutas) funciona particularmente bem (mesmo se não é isento de dificuldades) e pode constituir um exemplo interessante.

O produto que Portugal mais vende no segmento carnes é a carne de suíno (48M€ em 2012, sendo a Espanha compradora de 30% mas onde, por exemplo, Hong Kong, surge na 6ª posição), seguindo-se a carne de aves (22M€, com Espanha a absorver 38% das vendas que chegam também, na lista dos principais 10 compradores, ao Gabão e à Arábia Saudita), a carne de bovino (21M€, 55% para Espanha) e o presunto (7M€, sendo que 80% vai para Angola).

 

4.   A relevância económica do CAFP

Se a nível europeu o complexo agro-florestal e pescas emprega acima 5 milhões de pessoas, sendo responsável (na sua vertente transformadora) pela absorção de cerca de 70% da produção agrícola europeia, os dados de Portugal mostram um dinamismo que não é menos interessante.

 
VAB em M€
% PIB
Volume de Negócios (em M€)
Empregos (milhares)
Agricultura
1800
1.1%
6778.5
539
Pescas
181
0.1%
369.6
13
Indústrias Alimentares
2183
1.3%
11 084
95
Indústria de Bebidas
692
0.4%
2907.2
14
Total Complexo Agro-alimentar
4856
2.9%
21 139.9
661
Complexo Florestal
684
1.65% [6]
ND
89

Fonte: MAMAOT/ GPP (dados de 2013 para o complexo agroalimentar); INE e BES para complexo florestal (dados de 2011)

 

 

Estes números dão uma ideia bastante completa do peso que o sector tem na economia portuguesa mas não deixam, ainda assim, de espelhar uma realidade incompleta uma vez que aqui não se contabilizam as externalidades que a floresta representa, nomeadamente de carácter ambiental, quer como sumidouro de dióxido de carbono (o que tem um impacto economicamente mesurável à luz do CELE – Comércio Europeu de Licenças de Emissão), quer como alavanca para o turismo rural.

Este cenário de crescimento de exportações e de robustez do complexo agro-florestal se fez em Portugal, ao longo dos últimos 30 anos, e em linha com o que aconteceu na Europa, com uma diminuição progressiva da população que trabalha no sector primário.

População Ativa no Sector Primário

Anos
População Ativa no Sector Primário
1974
1 290 500
1980
1 121 000
1990
845 600
2000
635 400
2012
486 000

Fonte: PORDATA

As razões desta progressão são conhecidas e enquadram-se num padrão comum a todos os países desenvolvidos: mecanização progressiva; progressos tecnológicos e técnicos; êxodo rural e imigração, sobretudo de populações rurais; emparcelamento progressivo do território e maior profissionalização da mão-de-obra [7].

5.   Alguns casos de sucesso: vinhos, peixes, azeite e florestas

Com base na informação disponível no quadro apresentado no ponto 3 e na situação muito particular do sector florestal, olhemos, num voo rasante mas que fixe as principais referências, para o caso dos vinhos e cerveja, do peixe, do azeite e das florestas.

5.1.     O sector dos vinhos e da cerveja

O vinho é o produto nº 1 do sector agroalimentar português com um volume de negócios de 1.2 mil milhões de euros, cerca de 750 empresas (diretas) a operar e responsável por cerca de 8000 postos de trabalho (diretos – trabalhos de vinha e trabalhos indiretos podem chegar aos 10 000). No ano de 2012, exportou 707 milhões de euros, um valor que tem vindo consistentemente a subir na última década (com ligeiro recuo entre 2008 e 2009) e que, a partir de 2001, entrou em terreno positivo na balança comercial. Este sector contribuiu para a redução do défice comercial em 2011 em 13.6%, sublinhando a vocação exportadora do sector vinícola nacional (segundo dados da OIV, somos o 6º maior exportador mundial, em termos relativos, depois do Chile, Espanha, Austrália, Alemanha e Itália e à frente da África do Sul, da França, dos EUA e da Argentina, para citar o TOP10)[8].  

França – sem prejuízo dos pergaminhos que tem nesta área – tem sido o nosso mercado principal (17% em 2012), logo seguido de Angola (11%), a subir posições [9]. Note-se, igualmente, a presença da China (1%, 9M€) que aparece, pela primeira vez na lista dos principais destinos (de onde estava ausente em 2011). Há, aliás, um interesse crescente pelo vinho português por parte deste mercado, apesar de a União Europeia absorver ainda 59% do total das nossas saídas anuais de vinho.

Fonte: MAMAOT/ GPP, com dados do INE de 2012 (provisórios)

 

O vinho que Portugal mais exporta é um vinho de um segmento médio/ alto: 73% do vinho vendido para o exterior em 2011 era DOP e IGP [10], cujo preço médio por litro é superior (preço médio de exportação por litro: 2.24€, contra 0.62€ no vinho importado).

Uma palavra ainda sobre a exportação de cerveja que surge sob a mesma categoria de “líquidos alcoólicos” por força das regras de contabilidade, pese embora, naturalmente, se tratem de dois sectores muito diversos.

Tal como no vinho, é um produto onde a balança comercial nos é favorável, com uma taxa de cobertura na ordem dos 90% em 2011 e com um crescimento sustentado desde 2000. Do total de produção nacional de cerveja, 36% é para mercados externos.

No entanto, se no que toca ao vinho, o mercado comunitário é o destino principal, no caso da cerveja, este representa 27%, com os países lusófonos a deter uma quota de 65% (Angola com 58%, seguida de Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé, numa lista onde Moçambique e Brasil aparecem em lugares muito discretos). No espaço europeu, Espanha, França e Suíça assumem lugares cimeiros.

5.2.     Peixes, Crustáceos, Moluscos e Conservas de Peixe

 

Comecemos por um aparente paradoxo: apesar de ser o 3º produto que Portugal mais exporta (585 M€ em 2012), a categoria de “peixe, crustáceos e moluscos” é, ao mesmo tempo, a categoria de todo o agroalimentar em que Portugal mais importa: 1337 M€, tornando esta balança acentuadamente deficitária.

Na verdade, o facto de Portugal ser um dos maiores consumidores mundiais per capita de peixe faz com que as capturas nacionais nas nossas águas sejam manifestamente insuficientes para dar resposta à procura. Se a isto acrescentarmos os níveis de consumo interno de bacalhau (um peixe que não existe em Portugal), conseguimos compreender uma situação que é, na verdade, irresolúvel e que contribuiu de modo acentuado para o nosso desequilíbrio externo. Porém, é de assinalar que, de 2009 para cá, se observa uma correção significativa deste desequilíbrio.

No caso do pescado fresco (em mar e em aquacultura), Portugal exportou em 2011, 127 M€, sendo o mercado espanhol que detém o quase exclusivo das vendas neste segmento (93%) por razões de proximidade e facilidade de transporte. A Itália é o segundo comprador mas muito distante (4%). Uma das principais apostas de crescimento de Portugal neste sector deverá passar pela aquacultura, sendo um domínio onde estamos muito atrasado: a nível mundial, o fornecimento total de pescado por esta via ascende já a 48.6%, sendo apenas 1.4% em Portugal. Até 2020, prevê-se que do total de pescado consumido nos mercados mundiais, 60% provenha de aquacultura.

O pescado congelado tem uma importância relativa ligeiramente menor, com exportações na ordem dos 103 M€ anuais e, de novo, eminentemente dirigidas ao mercado espanhol (62%), seguido dos mercados francês (8%) e suíço (8%). Note-se que praticamente não vendemos para os maiores importadores mundiais de peixe congelado: Japão, China, Tailândia e Coreia do Sul.

Um lugar de destaque quando se fala de peixe não pode deixar de ser reservado ao bacalhau que, apesar de importarmos (fresco) em grandes quantidades (422M€/ ano), (re)exportamos sob a forma de bacalhau seco. O elevado consumo de bacalhau no mercado português contribuiu para este desequilíbrio (somos o maior importador mundial de bacalhau seco) mas também permitiu de algum modo a exportação de comportamentos para mercados lusófonos como o Brasil ou Angola (respectivamente: 47 e 11% das nossas exportações) ou mercados de proximidade como Espanha (28%).

Desde há mais de 10 anos que o segmento das conservas de peixe regista um equilíbrio comercial que nos é favorável e que, em 2012, chegou aos 182 M€ de exportações. Com uma forte vocação exportadora (60% em média mas atingindo 96% nas conservas de sardinha e 98% na sarda e cavala), este segmento tem sido um dos que mais cresceu na última década, consolidando a sua posição em mercados externos como o francês (26% do total das exportações), britânico (23%) ou espanhol (14%). O caso da indústria conserveira é particularmente curioso pela capacidade que teve de se regenerar, depois de quase ter desaparecido por causa da forte concorrência internacional.

 

5.3.     O caso do azeite

 

Apesar de surgir nas tabelas sob a designação genérica de “gorduras e óleos animais e vegetais”, o produto preponderante nesta categoria é o azeite, de que Portugal é 8º maior produtor mundial, acompanhando a tendência global de aumento da produção e da procura. Em 2012 o valor das exportações superou os 263 M€ e neste produto dá-se o curioso caso de termos de termos uma orientação exportadora na ordem dos 164%, o que carece porventura de explicação adicional. Na verdade, apesar de termos produzido, nesse ano, 57 mil toneladas de azeite, a verdade é que exportámos 94 mil toneladas, porque importámos azeitona em bruto que foi aqui transformada e revendida ao exterior, em adição a azeitona nacional. Nos termos das regras da OMC, este azeite é português e contabilizado como tal.

A produção nacional não tem sido suficiente para corresponder ao consumo interno, pelo que tem sido sempre necessário importar, apesar de, a partir de 2011, termos conseguido equilibrar a balança comercial neste produto. No entanto, apesar das condições climatéricas excepcionais de que Portugal dispõe para a produção do azeite, a verdade é que registamos baixa taxas de produtividade por hectare (comparando com outros produtores nossos concorrentes) por força de um olival envelhecido e alvo de deficiente investimentos ao nível de I&D (o contrário do que se passou com as florestas em geral, como veremos de seguida).

Os nossos mercados de exportação estão muito pouco diversificados, concentrando o Brasil e a Espanha 81% do total das nossas vendas para o exterior. Porém, o tipo de produto que cada um destes dois mercados compra é substancialmente diverso, recebendo o Brasil o azeite de maior qualidade. Não deixa de ser curioso que apesar de a Espanha também colocar azeite no mercado brasileiro e de o conseguir fazer a um preço mais baixo (por ser um produto de qualidade inferior), nem por isso conseguiu captar quota de mercado ao azeite português que o consumidor brasileiro reconhece como sendo excepcional. Da totalidade do azeite entrado no mercado brasileiro, 56% é português, aparecendo a Espanha em posição de grande distância, apesar de ser o maior produtor mundial [11]. Os atuais produtores mundiais, atendendo ao modo como o mercado está organizado, não representam para nós uma ameaça direta mas o mesmo não se pode dizer dos produtores emergentes como o Chile que, neste caso, terá uma facilidade grande em colocar o azeite no Brasil a um preço mais baixo. Por isso, só a aposta na qualidade e diferenciação pode distinguir o azeite português junto do nosso maior comprador.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: MAMAOT/ GPP, dados do INE relativos a 2012 (provisórios)

 

Parece claro que esta concentração excessiva não é boa para a nossa carteira de clientes uma vez que nos deixa excessivamente dependentes das volatilidades do mercado brasileiro. Mas, ao mesmo tempo, abre portas a que sejamos impelidos para outros mercados que são já compradores mundiais de azeite mas onde a nossa presença não é significativa. Será o caso de França, Itália [12], EUA e Reino Unido [13]. Noutro patamar, a obrigar a um esforço acrescido de divulgação, os casos do Japão e da China [14] são igualmente interessantes tanto mais que o Japão compra o azeite mais caro que o mercado mundial produz. Note-se que, sendo habitualmente mais difícil vender para países terceiros do que para a UE28, esse é um passo que já demos no caso do azeite uma vez que sai das fronteiras comunitárias 67% do total das nossas vendas.

 

5.4.     As florestas

 

A floresta é um tesouro relativamente escondido da economia portuguesa: apesar de ocupar 38% do território, ser responsável por 3% do PIB (se incluirmos a fileira transformadora industrial, produção de pasta e papel, serração, aglomerados e cortiça), 11% das exportações nacionais, ter uma taxa de cobertura na ordem dos 203%, deter o 3º maior nível de produtividade por hectare da União Europeia e empregar cerca de 90 000 pessoas [15], a verdade é que se trata de um sector relativamente desconhecido, com pouca visibilidade na opinião pública e que, porventura, não tem merecido a atenção que merece. Seguramente que se trata de um domínio onde se pode fazer mais, melhor e com mais impacto.

O sector florestal está na fronteira entre o sector primário e o sector secundário uma vez que, pese embora partindo de uma atividade que é na sua origem agrícola, muito do seu negócio está ligado à indústria transformadora a uma escala puramente industrial. Se olharmos para o conjunto de produtos exportados no complexo florestal, constatamos essa diversidade. Neste leque de produtos há alguns em que somos exportadores líquidos (caso do papel/ cartão, pasta de papel e cortiça – as chamadas “subfileiras âncora” [16]) e outros onde importamos mais do que exportamos (caso da madeira). As três subfileiras mencionadas representam quase três quartos do total de exportações do sector, embora, no caso específico da cortiça, este produto tenha registado, nos últimos anos, uma ligeira contração da procura externa.

 

Fonte: Banco Espírito Santo, A Fileira Florestal, Um cruzamento Estratégico, 2011 (dados de 2010)

 

Não menos diversa é a nossa carteira de clientes, onde prepondera o mercado espanhol (com 33%). Se desagregarmos por produtos, vemos que a Espanha continua a ser o principal cliente no papel, madeira, pasta de papel e indústrias gráficas mas cede lugar a França no que toca à cortiça e ao mobiliário. A cortiça é onde o mercado extracomunitário tem maior peso, com destaque para os EUA (40%). Ao invés, os produtos químicos resinosos estão concentrados no mercado comunitário (93%).

 

Fonte: Banco Espírito Santo, 2011 (dados de 2010)

 

O sector florestal português está confrontado com desafios de monta e fragilidades que o condicionam, nomeadamente no que diz respeito ao acesso a mercados externos. Refira-se dois desses problemas: os incêndios que têm vindo a destruir áreas importantes de plantação. Mas mais significativo é a doença do nemátodo do pinheiro que é, provavelmente, o mais grave constrangimento ao desenvolvimento do nosso sector florestal e que condiciona as nossas exportações.

 

6.   As tendências do sector agroalimentar

 

A existência de “tendências” (ou modas) no sector agroalimentar é um dos aspectos mais curiosos e desafiantes quando se pensa numa estratégia de internacionalização. Como consumidores, estamos habituados a uma evolução constante e rápida da moda com novas propostas que se revogam em cada estação. Ou, numa ótica mais de longo prazo, também percebemos que o mobiliário, o design dos carros, ou o layout dos jornais estão sujeitos a uma evolução que corresponde a um aperfeiçoamento técnico mas também a um ajustamento em função dos perfis e dos comportamentos dos consumidores. Pois bem: o que importa registar aqui é que o consumo de alimentos também tem “modas” ou tendências que vão modelando o mercado e a que os produtores estão atentos. Não se elaborará aqui em demasia sobre aquilo que é um estudo complexo e onde se cruzam olhares sociológicos, abordagens antropológicas e vicissitudes económicas, tudo sob o olhar atento dos marketeers que perspectivam que, até ao final da presente década, deverá haver um conjunto de tendências a marcar este sector. As linhas gerais que abaixo se apresentam são um referencial económico que tem um duplo interesse: por um lado um interesse de mercado (a que os exportadores nacionais não podem deixar de estar atentos) e, por outro, um interesse cultural.

 

De acordo com os especialistas, são as seguintes as grandes tendências do sector agroalimentar dos nossos dias:

 

a)   Valorização da senioridade: os consumidores com mais de 55 anos são determinantes. O aumento da esperança de vida e dos cuidados de saúde faz deste segmento um alvo com especial poder de compra (gastam, em média, 50% mais do que os que têm entre 30 e 40 anos), ativo, conectado às novas tecnologias e especialmente preocupado com a sua saúde. A decisão de comprar um produto agroalimentar é condicionada pelo “factor saúde” para 52% dos latino-americanos com mais de 50 anos, 51% dos asiáticos, 42% dos europeus e 41% dos americanos [17]. Isto obriga a que os produtos que se queiram posicionar neste segmento apliquem um conjunto de regras, quer ao nível da informação rotular (que componentes e que impacto isso tem na saúde, no envelhecimento e no desempenho cognitivo; clareza e simplicidade na comunicação), quer ao nível da facilidade de abertura das embalagens, que devem exigir menos destreza.

 

b)   A par do facto da senioridade, mas com ele estreitamente ligado, está o factor saúde. As sociedades contemporâneas são hoje absolutamente focadas nesta dimensão. Trata-se de matéria a que a Agência Europeia de Segurança Alimentar tem estado particularmente atenta e terreno onde se travaram sérias batalhas jurídicas no que toca ao rigor da informação prestada. Hoje, de acordo com as regras comunitárias e os pareceres daquela agência, privilegiam-se formulações como com baixo teor de ou sem aditivos em detrimento de enriquecido com. No Reino Unido, por exemplo, entre 2008 e 2012, aumentou em 56% o número de produtos lançados no mercado que alicerçaram a sua promoção em torno do facto de terem elevada presença de vitaminas A, D e E. Relacionada com esta preocupação está o tradicional rótulo de “produto natural”, hoje relativamente posto de lado por causa de questões jurídicas em torno do que é “natural”, substituído por indicações mais neutras como “sem aditivos/ conservantes” [18].

Por razões de saúde, assistimos ainda a dois fenómenos relacionados: a ênfase nos produtos proteicos, sobretudo para segmentos de consumidores como os desportistas, os seniores ou as crianças. Por outro lado, a referências aos açúcares é altamente desincentivadora do consumo, quer por razões estéticas, quer por razões de saúde.

 

c)   A opção pela sustentabilidade – para o consumidor moderno, no momento da escolha do produto o factor sustentabilidade ou responsabilidade social e ambiental das marcas é decisivo. O consumidor analisa a pegada ética do produto e pode condicionar o ato de compra em função da sustentabilidade ambiental da empresa e do processo de produção, do uso de mercadorias que saiam de um circuito de comércio justo, que velem pelo bem estar animal e não usem os animais como testes. Se em 2008, este factor era apenas condicionante para 3.7% dos consumidores, em 2012 eram já 14.7% os consumidores que dele faziam depender o ato de compra. Além de esta dimensão estar a fazer cada vez mais parte da narrativa comunicacional dos produtos agroalimentares, este princípio traduz-se ainda na preocupação com a redução do desperdício (reciclabilidade e reutilização das embalagens, por exemplo) ou na valorização de produtos locais (que não tenham viajado) ou da época (produzidos mais em harmonia com o ciclo da natureza). Isto é especialmente importante nas frutas e nos produtos delas derivados, como os sumos.

 

d)   A conectividade – hoje nenhuma empresa ou produto existe se não existir em rede: é ali que tem de estar a informação, apresentada de forma transparente e coerente e é aí que tem de ser possível fazer compras. Mesmo num segmento com uma dimensão perecível ou volátil como o agroalimentar, o consumidor procura que a marca transmita uma imagem de movimento, de dinamismo que, nas sociedades contemporâneas não é possível sem uma dimensão digital. A extensão das potencialidades da rede (a interação com os telemóveis, por exemplo) é um aspecto que não pode ser descurado. No Reino Unido, 31% dos consumidores já pegou no smartphone, em pleno supermercado, para analisar as características do produto que vai comprar e comparar com produtos que concorrem no mesmo segmento [19]. Apesar de ainda pouco difundidos na Europa, os mercados asiáticos (nomeadamente o japonês, por exemplo), há muito que se habituaram aos códigos QR (quick response) como modo de fornecer informação instantânea e armazenável ao consumidor. No segmento agroalimentar há já produtos que nesse código fornecem receitas, produtos que podem acompanhar (ex: o código QR de um queijo pode dar explicação sobre o vinho que melhor acompanha).

 

7.   Conclusões

 

O sector agro-florestal português tem-se posicionado, na última década, como um dos mais dinâmicos da economia portuguesa. O seu grau de abertura mostra um fluxo comercial intenso e as exportações crescem a ritmo sólido e seguro. Não se trata de um epifenómeno mas a análise de dados de mais de uma década (2000- 2012) mostra que o dinamismo das exportações agroalimentares cresce acima do resto da economia. Esta tendência está a contribuir, de modo decisivo, para a redução do défice agroalimentar e a dar um contributo não menos decisivo para o equilíbrio do nosso comércio externo. De igual modo, mantendo-se esta tendência, parece ser viável, como é intenção do Governo, tornar o país autossuficiente, em valor, até 2020 (teremos de reduzir o défice comercial no sector a uma média de cerca de 500 M€/ ano o que, sendo difícil, não é impossível se pensarmos que, de 2011 para 2012, essa redução se cifrou acima dos 600 M€).

Em linha com o resto da economia, os nossos mercados de destino são pouco variados, concentrando a União Europeia mais de 70% das nossas vendas ao exterior, logo seguido do espaço da CPLP, com 12%. Quer porque alguns destes mercados já terão atingido a sua capacidade máxima de crescimento e absorção dos nossos produtos, quer porque são mercados voláteis e onde se sentem efeitos de uma crise na procura, Portugal não pode deixar de procurar diversificar a sua carteira de clientes, abrindo novos mercados em países terceiros, mesmo que, nesse caso, tenha de lutar contra barreiras não pautais de enorme complexidade técnica e que só são passíveis de serem derrubadas se se aliar um interesse empresarial (e respectiva capacidade de resposta) e um empenho político, acentuando os contactos e reforçando as visitas. Casos como o do Japão (carnes, cerejas), China (leite), Brasil (pera) ou Cazaquistão (carnes) são situações particularmente interessantes onde a conjugação de esforços tem vindo mostrar resultados.

É sabido que a agricultura portuguesa sofreu uma transformação radical nas últimas 2 ou 3 décadas e um dos traços mais distintivos e que mais a tornou competitiva foi o facto de ser ter “empresarializado”, tornando-se mais sofisticada, mais elaborada do ponto de vista técnico e ter apostado na investigação e desenvolvimento. Hoje há empresas no sector que, em permanência, investigam e procuram soluções novas, novos produtos, novos processo e novas técnicas, sem nunca esquecer um pilar essencial para Portugal e para a União Europeia que é a segurança alimentar. Exemplo dessas inovações de empresas portuguesas, por exemplo, são os ovos estrelados congelados (que permite que os mesmos viajem e se conservem por longos períodos), a fruta fresca em barras ou as algas para a produção de espumas para a gastronomia molecular. E valerá a pena sublinhar que Portugal é reconhecido, pelos parceiros internacionais do sector, como exemplo ao nível da segurança alimentar. Não será por acaso que a China nos pediu que fizéssemos formação nesta área ou que aqui compra arroz de modo de produção biológico para crianças e que escolheu pela sua particular qualidade.

Outra vertente que é crucial é a capacidade do sector ser capaz de apostar numa estratégia de comunicação direta ao consumidor que seja eficaz, dando a conhecer o que se produz e as características dos produtos. Se o vinho português é bastante conhecido no Brasil, já menos saberão que exportamos para o Brasil mais frutas do que vinho. De igual modo, há trabalho a desenvolver na promoção do nosso sector florestal que, pese embora estar respaldado em Portugal por empresas de grande dimensão, precisa de se tornar conhecido par além dos produtos paradigmáticos (exemplo da cortiça).

Um país à dimensão de Portugal não poderá competir numa escala que nunca será a sua nem fixando-se em preços que outros conseguirão esmagar: a linha de toque terá de ser a diferenciação. Caso evidente é o sucesso do nosso azeite no Brasil que não é mais barato do que aquele que é vendido pelos nossos concorrentes diretos mas que, nem por isso, deixa de ser a preferência dos consumidores brasileiros. Aliás, o ano de 2012 foi o nosso melhor de sempre nas exportações de azeite, o que mostra que os mercados internacionais têm premiado a constância da nossa qualidade (os prémios atestam-no também).

Se o facto de sermos o 8º produtor mundial de azeite nos dá o conforto de uma produção que já atinge patamares de monta, dificilmente poderemos ganhar o mesmo arcaboiço noutros segmentos, como a fruta, quando vendemos pera para a China, por exemplo. Os mega-mercados (China, Índia) têm muitas vezes andado arredados do alvo dos nossos exportadores que receiam não ter capacidade de resposta mas que terão de reorientar a sua estratégia percebendo que só fazendo uma segmentação poderão chegar ao alvo desejado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bibliografia

 

·         Banco Espírito Santo, A Fileira Florestal – Um cruzamento Estratégico, apresentação na conferência “Futuro da Floresta e do bosque mediterrânico”, Lisboa, 17 de maio de 2011;

 

·         Cruz, Isabel Braga da, As 10 maiores tendências do agroalimentar para 2013, PortugalFoods, 2013;

 

·         Diário Económico, Agricultura – O regresso à terra, suplemento especial, 23 de julho de 2013;

 

·         Direcção Geral das Florestas, Florestas de Portugal, Lisboa, 2000;

 

·         Le Monde, 13 de julho de 2013 ;

 

·         PortugalFoods, PortugalExcepcional – Estratégia de Internacionalização do Sector Agro-Alimentar 2012 – 2017;

 

·         PortugalFresh, Fruit, Vegetables and Flowers, sem data;

 

·         Santos, Guilherme Maria Marta dos, Análise do Mercado de Exportação do Azeite Português, Instituto Superior de Agronomia, Lisboa, 2011, in https://www.repository.utl.pt/bitstream/10400.5/4093/1/TESE.pdf

 

·         Sarmento, Elsa de Morais; Dores, Vanda; Nogueira, Vanda, A competitividade e a diversificação da fileira florestal portuguesa, in Notas Económicas, Junho de 2013. http://notas-economicas.fe.uc.pt/texts/ne037n0223.pdf

 

·         ViniPortugal, Plano Estratégico para a Internacionalização do Sector dos Vinhos em Portugal;

 

 




[1] Diplomata. Chefe de Gabinete da Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (julho 2011 – janeiro 2013). Assessor diplomático. Representante Pessoal da Ministra no Conselho Estratégico de Internacionalização da Economia (a partir de fevereiro 2013), depois Ministra da Agricultura e do Mar (a partir de julho 2013). Agradeço os dados estatísticos que me foram fornecidos por Ana Cardozo de Menezes (do Gabinete de Planeamento e Políticas do MAM). Agradeço ainda a Magda Rodrigues a colaboração no tratamento informático de alguns destes dados.
[2] Usa-se neste artigo a fórmula em que o GAEE (grau de abertura da economia ao exterior) é calculado pelo seguinte rácio: GAEE= (IMP+EXP)/ VAB x 100.
[3] O mercado de cereais é particularmente volátil, tendo tido nos últimos 2 anos oscilações significativas no preço das matérias primas. Vide, pelo interesse de que se reveste, o artigo publicado no Le Monde de 13 de julho de 2013 e que pode ser consultado aqui: http://www.lemonde.fr/economie/article/2013/07/12/les-tensions-sur-les-prix-des-cereales-sont-retombees_3446815_3234.html?xtmc=cereales&xtcr=4
 
[4] Valerá a pena acrescentar, nesta brevíssima referências às fileiras, que o grau de aprovisionamento é positivo no tomate (356%), no vinho (140%), no leite (108%) e no arroz (103%). Regista ainda números encorajadores na carne de aves (90%), no azeite (90%) e nas pescas (86%).
[5] Neste ponto 3 restringimos deliberadamente a nossa análise ao sector agroalimentar, deixando, por ora, de lado o sector florestal. Este será objecto de uma análise mais detalhada no ponto 5 quando se analisarem quatro casos particulares de sucesso: bebidas alcoólicas; peixes, crustáceos e moluscos; gorduras e óleos (incluindo azeite) e as florestas.
[6] Este valor corresponde à fileira florestal em sentido estrito – vide 5.4. para mais desenvolvimentos sobre este ponto. Se tomarmos o sector florestal em sentido lato, este valor corresponde a 3%.
 
[7] Há um curioso exemplo de escola que mostra bem esta dinâmica e que se prende com a mão de obra necessária para ceifar um hectare de terra: em 1750 eram necessários 40 a 50 trabalhadores com uma foice; em 1930, 25 a 30 com uma foice melhorada; em 1970, 8 a 10 trabalhadores com uma segadora; em 1985, com uma ceifeira-enfaixadeira, 1 a 2 trabalhadores. Hoje em dia, com uma ceifeira debulhadora, o mesmo hectare de terra pode ser ceifado em 4 horas apenas com um condutor da máquina.
 
[8] Dados da OIV, Organização Internacional do Vinho, com base no peso das exportações de 2011 face à produção de 2010.
 
[9] Ao contrário de Angola, Moçambique, por exemplo, não se tem posicionado como particularmente interessante neste sector. Trata-se apenas do nosso 20º cliente, o que corresponde a 5 M/ ano. O consumo de vinho não está enraizado nos hábitos locais (pelo menos não tanto como em Angola), para o que poderão contribuir razões de ordem cultural. Acresce que, atento o perfil do consumidor, o valor do vinho exportado para Moçambique é de 0.76/ litro, contra, por exemplo 3.64 para o mercado dos EUA.
 
[10] Respetivamente: Denominação de Origem Protegida (exemplo: Vinho do Porto e do Douro) e Indicação Geográfica Protegida (exemplo: Vinho Alentejano).
[11] Da totalidade de azeite que o Brasil compra ao exterior, 56% vem de Portugal, 22% de Espanha, 13% da Argentina, 6% de Itália.
[12] O caso italiano é peculiar, já que a Itália é o 2º maior produtor mundial mas com uma produção interna incapaz de satisfazer a procura de azeite italiano nos mercados internacionais. Por isso, parte das nossas vendas para aquele mercado correspondem a azeite que depois é ali incorporado com azeite italiano e revendido para os EUA.
 
[13] De 2009 para 2010, o aumento das exportações para o mercado inglês foi na ordem dos 75%, atingindo-se aqui o pico de uma tendência que se vinha registando há mais dez anos. O mercado inglês consome, quase exclusivamente, azeite espanhol e italiano (85% entre estes dois produtores), ocupando Portugal uma modesta 8ª posição.
 
[14] O azeite não tem tradição na cozinha chinesa e começou a ser vendido a retalho apenas em meados da primeira década deste século. Mas a verdade é que uma classe média emergente, com poder de compra, que tem viajado cada vez mais e com preocupações de saúde, tem sido a base de um produto que Espanha (45%), Itália (35%) e Grécia (8%) fornecem à China. Em 20 anos a China pode-se tornar no maior consumidor mundial de azeite.
 
[15] Não se contabilizam nestes números as externalidades ambientais do sector florestal, nomeadamente o papel das florestas enquanto sumidouro de CO2 e que, no caso da floresta portuguesa, corresponderá aproximadamente a 3.7 milhões de toneladas de CO2. Como se sabe, os proprietários florestais (97% da floresta portuguesa pertence a privados) não recebem remuneração por este papel do seu parque florestal embora, no quadro do Protocolo de Quioto esteja prevista a comercialização de licenças de emissão. Tão pouco é contabilizado o papel da floresta enquanto habitat privilegiado da biodiversidade.
[16] Sarmento, Elsa de Morais; Dores, Vanda; Nogueira, Vanda, A competitividade e a diversificação da fileira florestal portuguesa, in Notas Económicas, Junho de 2013.
[17] Fonte: Innovadatabase, apud Cruz, Isabel Braga da, As 10 maiores tendências do agroalimentar para 2013, PortugalFoods, 2013.
[18] Porventura a mais célebre batalha jurídica em torno desta questão foi o processo judicial contra os sumos Tropicana, nos EUA, que, apesar de introduzirem conservantes no produto (para aumentar o prazo de validade e tempo em prateleira), continuaram a rotular o produto como “100% natural”.
[19] Fonte:  Mintel Oxygen, apud, Cruz, Isabel Braga da, ob. cit.

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